{"id":61,"date":"2021-03-06T16:39:46","date_gmt":"2021-03-06T19:39:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8888\/hangar-expo\/?p=61"},"modified":"2021-10-16T22:32:39","modified_gmt":"2021-10-17T01:32:39","slug":"2000-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hangar110.com.br\/cartazesquecontamahistoria\/2000-2\/","title":{"rendered":"2000"},"content":{"rendered":"\n<p>Nostradamus, M\u00e3e de Ogun, tudo caminhava para uma trag\u00e9dia. Ano em que os computadores iriam parar, o planeta iria entrar em colapso e o mundo ia acabar. Todos erraram feio, o mundo n\u00e3o acabou e 2000 marcou o in\u00edcio de um per\u00edodo muito bom para o rock alternativo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso hor\u00e1rio, que no come\u00e7o era tratado como matin\u00ea com um certo ar de deboche, passou a ser o ponto alto para que a engrenagem come\u00e7asse a funcionar. Os hor\u00e1rios eram rigorosos, pelo menos para a sa\u00edda do palco e com isso o t\u00e9rmino dos shows sempre foi entre 23:30 e 23:45, tempo suficiente para o p\u00fablico correr at\u00e9 o metr\u00f4 e chegar em casa com seguran\u00e7a. Al\u00e9m disso, a din\u00e2mica das apresenta\u00e7\u00f5es geraram uma rela\u00e7\u00e3o muito mais pr\u00f3xima do p\u00fablico com a banda. Os materiais das bandas passaram a ser muito procurados, cds, camisetas, botons. A banda vendia mais, podia investir em est\u00fadio melhor, melhor grava\u00e7\u00e3o, mais cds vendidos, as lojas vendiam mais material das bandas e a roda come\u00e7ou a girar.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram in\u00fameras atra\u00e7\u00f5es internacionais e o in\u00edcio de uma grande amizade com as bandas e produtores&nbsp; nacionais.&nbsp; Nessa \u00e9poca havia muitos selos independentes que realizavam shows com as bandas do pr\u00f3prio selo. Isso ajudou no interc\u00e2mbio entre as v\u00e1rias cidades do Brasil. Essa movimenta\u00e7\u00e3o de bandas gerou um boca a boca e criou-se uma expectativa de tocar no Hangar mesmo sem conhecer. Bandas de todos os lugares do Pa\u00eds enviavam material para tocar.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas que n\u00e3o podemos deixar de citar, al\u00e9m de in\u00fameros shows sensacionais nacionais e internacionais como Skabadabadoo,&nbsp; Dead Fish, Street Bulldogs, Mukeka di Rato e Rethink, Bambix, Cannibal Corpse, GBH, Holly Tree, Rasta Knast, RDP, Inocentes, Carbona, Shelter, The Exploited, No Fun At All em sua segunda passagem&nbsp;pelo Brasil e a ic\u00f4nica banda Irlandesa Stiff Little Fingers.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00faltima coisa que eu imaginaria, seria ver o vocal Jake Burns tomando cerveja em um daqueles butecos da Av. Tiradentes, mas aconteceu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ficamos sabendo h\u00e1 pouco tempo que a Banda Rivets do Rio de Janeiro, que se apresentou junto com os&nbsp; americanos do Lagwagon, fez sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica nesse show.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentre v\u00e1rias curiosidades, a mais inusitada foi com o Exploited. Na \u00e9poca do show, a mesa de som ficava onde hoje \u00e9 o mezanino e n\u00e3o deix\u00e1vamos que as pessoas subissem para n\u00e3o atrapalhar a t\u00e9cnica. Mas nesse dia um amigo das antigas, Luiz Louco, veio pela primeira vez no Hangar e pediu pra ficar ali ao lado da mesa. A banda come\u00e7ou a introdu\u00e7\u00e3o de \u201cFuck the USA\u201d e quando entra com a m\u00fasica o disjuntor cai. A banda tenta mais duas vezes e o disjuntor continua a cair. Parecia que tinha um americano desligando a energia mas era um fio que, quando entrava a m\u00fasica e o Luiz Louco pulava, o piso de madeira estrangulava o fio de energia, fechava curto e o disjuntor caia. Conseguimos descobrir e na quarta vez rolou, Fuck the USA.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando aos processos, vale lembrar que aos poucos o computador com seus programas gr\u00e1ficos (Ventura, Corel Draw, Photoshop) foram tomando conta das artes e quase tudo era feito com essas ferramentas. N\u00e3o pense que era f\u00e1cil, um HD bom na \u00e9poca tinha 100 megas,&nbsp; era do tamanho literalmente de um tijolo. A impressora chegava a demorar horas para imprimir uma folha A4 e ao t\u00e9rmino, se voc\u00ea n\u00e3o havia revisado o texto e faltasse alguma letra em uma palavra, voc\u00ea queria arrancar os olhos porque todo o trabalho ia por \u00e1gua a baixo. Todos os insumos eram car\u00edssimos, tinta de impressora colorida, tonner para impressora preto e branco e pap\u00e9is especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de limita\u00e7\u00e3o financeira nos levou a usar uma t\u00e9cnica, que consistia em imprimir em tamanhos pequenos com uma boa resolu\u00e7\u00e3o e ampliar nas m\u00e1quinas de xerox. E aqui vai nosso agradecimento \u00e0s copiadoras da galeria do rock e da galeria 24 de maio, em destaque a Mara Copiadora que foi uma parceira nesse tipo de trabalho sempre com m\u00e1quinas de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, que nos davam bons resultados. Podemos ver essa t\u00e9cnica em quase todos os cartazes de 2000, 2001 e 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nostradamus, M\u00e3e de Ogun, tudo caminhava para uma trag\u00e9dia. Ano em que os computadores iriam parar, o planeta iria entrar em colapso e o mundo ia acabar. 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